sexta-feira, 11 de maio de 2012


ANÁLISE CRÍTICA LITERÁRIA NA OBRA “A BRUXA DE PORTOBELLO”, DE PAULO COELHO 


ROSELY Mª R. NÉRI SALDANHA




"NOVO LIVRO DE PAULO COELHO NAUFRAGA EM ENREDO DESCONEXO
MARCELO PEN
Crítico da Folha

Não se pode negar que, em termos literários, este é um dos romances mais ambiciosos de Paulo Coelho. Confrontada com os recursos mínimos de suas narrativas anteriores, esta história de uma líder de seita, contada pela perspectiva de uma dúzia de personagens, parece suntuosa.
Coelho já se aventurou em descrever a história de um personagem pelo enfoque de outro, mas nunca lançou mão de tantos pontos de vista. O recurso não é novo. Remonta aos romances epistolares do século XVIII. Mais recentemente, o japonês Ryunossuke Akytagawa (1829-1927) articulou, no conto “Dentro do Bosque”, uma trama de assassinato descrita por meio de sete relatos.
A técnica serve para quebrar a expectativa de uma narração que parecia apontar para determinado caminho. Também pode sugerir que a apreensão da realidade é algo mais complexo do que insinua o relato tradicional. No conto de Akytagawa, a trama se rearranja a cada nova perspectiva. Põe-se em xeque a possibilidade de se chegar a um quadro objetivo, único, da realidade.
Nada disso, porém, ocorre no livro de Coelho. Os pontos de vista como que se apóiam para contar uma história unívoca, descomplicada como uma cartilha infantil. Uma jovem de origem cigana, adotada por um casal de libaneses, entra em contato com várias doutrinas místicas e passa a divulgar a sua. Em Londres, ela se casa, dá à luz um filho, separa-se e muda-se para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde atua como corretora de imóveis.
Sua inquietação existencial e religiosa a impele a procurar a mãe na Romênia e a buscar a assistência de uma guru, na Escócia. Com o aperfeiçoamento de suas habilidades espirituais, acaba arrebanhando um séquito de devotos, que lota seus cultos realizados na Portobello Road, famosa rua de Londres cantada por Cat Stevens e Caetano Veloso. Anuncia-se desde o início um fim trágico para ela.
Dentre os relatos estão o de um jornalista apaixonado pela heroína, o do ex-marido dela, o da mãe adotiva, o de seus mestres e de sua discípula. O problema é que não há basicamente muita diferente entre eles. O depoimento de cada personagem, seja de uma cigana analfabeta do Cárpatos, seja de um douto historiador, soa-nos igual, com sua fé no sagrado, a naturalidade com que abraçam o sobrenatural e sua tendência em ver a tal bruxa de Portobello da mesmíssima forma.
Também se percebe a falta de cuidado que Coelho dispensa a seus textos. Ele já afirmou em entrevista que escreve como que tomado por uma força maior, evitando quaisquer interrupções a fim de botar no papel, num prazo curtíssimo, a história que vinha ruminando há mais tempo.
Além dos habituais problemas de linguagem e das bobagens ditas como verdades universais (“É claro que todas as crianças do mundo têm visões”), frases inverossímeis (“pode ser a última chance de conversarmos nesta encarnação”; “o Vértice está escondido dentro de nós”) há sérias inconsistências de enredo. Por que, nos perguntamos, a futura sacerdotisa passa necessidade com o marido em Londres, quando os pais dela são “bem estabelecidos” na Inglaterra? Além do mais, ela não poderia ter a idade que o autor lhe atribui caso tivesse presenciado aos 12 anos, conforme ele descreve noutro trecho, a eclosão da guerra civil no Líbano.
Em outro momento, sua mãe de sangue lhe pede para levar uma saia a um centro de devoção na França. Adiante, a filha comenta que o objeto a ser entregue seria um manto.
Mitologia falha
Há falhas também no terreno que Coelho supostamente devia dominar: a mitologia e o misticismo. A bruxa afirma que a da deusa grega Gaia (Terra) vieram todos os deuses, “inclusive o nosso caro Dionísio”. Não é bem assim. Gaia deu à luz Réia e Cronos, estes sim pais dos deuses, como Zeus e Hera. Dionísio, na verdade, é filho de Zeus com a mortal Sêmele.
Pior, no livro é dito que os deuses “iriam povoar os Campos Elísios da Grécia”. Ora, o Elísio é uma região deleitosa do Inferno (após a morte, todos iam para lá; “inferno” simplesmente quer dizer “mundo subterrâneo”), para onde se enviavam as almas dos heróis e dos virtuosos. A maioria dos deuses vivia no Olimpo. Um pouco mais de pesquisa e de crivo faria bem a qualquer romance."


            O livro a Bruxa de Portobello, do autor Paulo Coelho, é analisado criticamente por Marcelo Pen, que aponta falhas existentes na obra.
            O escritor Paulo Coelho considerado um Best-seller por ter vendido 75 milhões de exemplares, é bastante criticado, mas seus livros continuam sendo vendidos. Alguns comentam vagamente que pode ser uma jogada de marketing para que o escritor não saia da evidência, outros dizem que pode ser pelo simples motivo de cumprimento de prazo com sua editora. Ou seja, cumprimento de contrato. Mas o que se vê mesmo são pessoas lendo e comentando positivamente ou negativamente sobre sua obra.
            Alguns críticos podem fazer comentários sobre uma obra, podendo estimular a leitura da mesma, ou não, para seus prováveis leitores. Até mesmo uma futura leitura em busca da comprovação do que foi exposto de negativo em uma obra.
            Em se tratando do texto de Marcelo Pen, o mesmo afirma que a obra a Bruxa de Portobello possui várias falhas:
a- É composta por um apanhado de fatos originários de narrativas anteriores dando um ar de falsa grandiosidade. “Confrontada com recursos mínimos de suas narrativas anteriores, esta história de uma líder de seita, contada pela perspectiva de uma dúzia de personagens, parece suntuosa”. (Pen, 2010)

b- Sua técnica lança mão de vários pontos de vista ao descrever a história de um personagem pelo enfoque de outros; fazendo lembrar os romances epistolares do século XVIII, em que a trama se rearranja a cada nova perspectiva. No romance de Paulo Coelho esses depoimentos não trazem novidades ou suspense, todos trazem uma história unívoca em que uma criança cigana é abandonada pela mãe genética e adotada por libaneses e entra em várias doutrinas místicas e passa a divulgar a sua. Não há suspense ou mesmo novidade nos depoimentos.
c- Afirma que Paulo Coelho traz algumas bobagens ditas como verdades universais “É claro que todas as crianças do mundo têm visões”. O autor generaliza o ato de ter visões, a todas as crianças.
d- Traz frases inverossímeis “pode ser a última chance de conversarmos nesta encarnação”. Quem garante que haverá outra encarnação para conversar?O vértice está escondido dentro de nós”.Como comprovar esse ponto culminante? O autor afirma que o ponto culminante na vida, é a meta daqueles que erram, mas que não perdem a luz que traz em seu coração.
e- O crítico pergunta o porquê da sacerdotisa Athena ter passado fome com o marido em Londres, enquando os pais dela viviam muito bem economicamente na Inglaterra? A união de Athena e Lúkás Jéssen não era aprovada pelas famílias deles. Seus pais ficaram contrariados com a união dos dois, pois ambos tiveram que largar a universidade, por isso o casal teve que lutar sozinho.

f- Ele afirma que Athena na poderia ter a idade que o autor lhe atribui por ter presenciado aos 12 anos a eclosão da guerra civil no Líbano. Porém não há nada que comprove a idade que ela se encontrava posteriormente.
g- Falhas na mitologia: O autor afirma que da deusa Gaia (Terra) vieram todos os deuses inclusive o Dionísio. O crítico discorda com toda razão, pois Dionísio é filho de Zeus e Sêmele, sendo posteriomente entregue à Mercúrio para que o mesmo o levasse às Ninfas, que o criaram junto à natureza selvagem, aprendendo a plantar e a cultivar vinha. É coerente o que o crítico afirma.
h- No livro é dito que os deuses “iriam povoar os Campos Elísios da Grécia”, eles viviam era no Olimpo e não em uma região deleitosa do Inferno, que se refere a Elísios. Marcelo Pen faz uma boa observação. 

A obra a Bruxa de Portobello recebeu várias críticas jornalísticas, até a revista Veja usou a seguinte manchete: “A bruxa está à solta: novo romance de Paulo Coelho lembra um fato fundamental: ele é um péssimo escritor.”A revista afirma inclusive que sua cadeira na Academia Brasileira de Letras se deve a estreitas relações com o “o quadrilheiro José Dirceu”.
Mas, A Bruxa de Portobello, trata-se de um romance místico que envolve inúmeros personagens em volta da personagem principal Sherine Kalil, mais conhecida como Athena. Nesse romance o autor parte do ponto de vista Contemporâneo à antiguidade grega, buscando subsídios para compor a obra.
A obra aborda o misticismo, a adoção,  a discriminação e a busca pela felicidade. O misticismo e em especial os rituais de magia são presentes no romance. Sherine logo ao nascer é abandonada por sua mãe genética e logo é adotada por uma família de bom poder econômico, mas antes de ser adotada, sua futura mãe é alertada para não adotá-la por se tratar de filha de cigana, mesmo assim ela é adotada. Aos doze anos Sharine que já recebeu o apelido de Athena, pelo tio, para evitar uma futura discriminação em outro país, caso fosse necessário se mudar, prevê a guerra civil do Líbano que durou dois anos, mesmo estando até hoje em eternos conflitos. Ao decidir largar a faculdade com 19 anos para ser mãe e viver com Lukás. Não é apoiada por sua mãe adotiva e os pais do marido também são contra, pois ambos largam a universidade para iniciar uma vida a dois ainda muito novos. Após separarem-se Athena sofre disciminação na igreja por ser separada, não podendo mais comungar. Quando inicia-se no misticismo ela sofre discriminações da sociedade. Ela preenche os vazios existentes em sua vida ao buscar sua mãe genética, mesmo voltando para sua família adotiva. Através de seus cultos a Deusa Mãe ela descobre que recebe a divindade Hagia Sofia. Através dela consegue curar vários problemas de saúde.
O autor vai para o período em que as bruxas eram queimadas, a inquisição, busca os deuses gregos e faz referência com o período contemporâneo. Ele utiliza uma linguagem de fácil entendimento e fala de fatos que se assemelham ao dia-a-dia de uma boa parte das pessoas, o que facilita a sua leitura. Também encanta as pessoas com o misticismo e seus rituais.  Há inclusive uma intertxtualidade no poema de Camões quando ele diz: “O amor não é desejo, não é conhecimento, não é admiração. É um desafio, um fogo que arde sem que possamos ver”.
No artigo de Gislaine Backer, que fala das críticas literárias, ela afirma que “uma crítica realizada de forma errônea pode afastar para sempre nosso leitor[...]”.   Afirma também
que ”mais vale um Paulo Coelho na mão do que dez Machado de Assis voando no tempo”, pois para se tornar um leitor é necessário começar a ler e essa leitura não deve ser classificatória, mas sim agradável de se ler, de fácil entendimento. 
                   Esse é o papel do escritor, trazer o leitor para dentro dos livros, e Paulo Coelho é condutor de mais de setenta milhões de leitores. 




REFERÊNCIAS

A BRUXA ESTÁ À SOLTA. Pesquisado em: < http://veja.abril.com.br/270906/p_125.html> acesso em: 15/10/10.

COELHO, Paulo. A Bruxa de Portobello. São Paulo: Planeta, 2006.

DAS OBRAS MARGINAIS ÀS OBRAS LITERÁRIAS. Pesquisado em:< http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/das-obras-marginais-as-obras-literarias-1160176.html > Acesso em: 30/09/10.

DIONÍSIO (BACO). Pesquisado em: <http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080223103710AAyOLhz>. Acesso em:15/10/10.

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