sexta-feira, 11 de maio de 2012

ANÁLISE DA OBRA “A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE”, DE ARTHUR MILLER


ANÁLISE DA OBRA “A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE”, DE ARTHUR MILLER

Rosely Maria Ribeiro Néri Saldanha

RESUMO
A peça “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Mille é uma peça teatral que conta a história de um caixeiro viajante, Willy Loman que passa por dois dramas, um social e outro familiar, que o leva ao declínio e consequentemente ao suicídio. Acostumado a um mundo em que a amizade estava acima da ordem econômica, se ver desempregado e descobre que esses valores não existem mais. A trama fica mais forte quando seu filho Biff o vê com uma amante, criando um abismo entre eles. Willy Loman ver se apagando a realização do sonho americano. O autor da obra trabalha o conflito social, e cria ao mesmo tempo, sua história sobre um conflito realista, psicológico e moral.
Palavras chaves: Peça teatral; Literatura; trama; morte; sonho americano; Arthur Miller.

INTRODUÇÃO
“A Morte do Caixeiro viajante” remete a conflitos vividos por Willy tanto por motivo capitalista, que com o tempo extingue os laços de amizade, como os conflitos familiares, querendo passar para a família uma condição que não era mais a dele, pois até o dinheiro do seguro, ele tem que pedir emprestado, pois após 35 anos de vendas, muitos dos seus compradores e amigos, morreram ou se aposentaram, tornando assim mais difícil suas vendas. Entra em decadência quando, perde o salário e passa a ganhar por comissão, suas viagens acabam sendo em vão. Assim o personagem se depara com a triste realidade de fracasso, por não ver possibilidade de realizar o sonho americano tão desejado, que passa a ser privilégio de alguns, e não de todos, com isso Willy a mergulha em uma solidão patética por ficar ilhado em seu fracasso.



AUTOR
Arthur Miller, dramaturgo norte-americano, considerado como um dos maiores autores teatrais contemporâneo, costuma criticar a sociedade de seu país. Nasceu em Nova York, conhecida como grande arquipélago de raças e culturas era de família judia e seu pai, Isadore, seria um industrial arruinado pela crise econômica de 1929, conhecida também como a Grande Depressão. A crise obrigou a família a mudar radicalmente suas vidas, mudando-se do bairro nobre para o subúrbio, onde aprendeu a aguçar sua audição, dizia: “um autor escreve com os ouvidos”. Como seus pais não possuíam mais condições de pagar uma faculdade para ele, exerce várias funções modestas de trabalho: chofer de caminhão, garçom, marinheiro e empacotador de uma fábrica de autopeças. Posteriormente, em 1934, através da Associação Nacional da Juventude, e de seu emprego de redator do Diário de Michigan, ingressa na Universidade de Michigan para fazer dramaturgia.

Ficou conhecido por várias obras, dentre elas seu primeiro romance, Focus (1945) que é usado para denunciar o anti-semitismo; e as peças teatrais: Todos Eram Meus Filhos (1947)  é sua primeira peça teatral, nela ele denuncia um fornecedor de material bélico que é responsável pela morte de vários pilotos, por isso passa a ser visto como esquerdista e a peça é proibida na Europa; A Morte do Caixeiro Viajante (1949) seu maior sucesso teatral; As Feiticeiras de Salém (1953) que trata-se de um processo verídico contra algumas pessoas que usavam de práticas demoníacas; e um roteiro de cinema Os Desajustados (1960), sendo produzido para a sua segunda esposa: a famosa atriz Marilyn Monroe; escreve ainda alguns contos e ensaios sobre teatro. Arthur Miller e Marilyn Monroe mal acabam de casar e ele é condenado à prisão por trinta dias, devido ser “pouco cooperativo” sendo muito assediados pelos jornalistas. O casamento resultou em uma grande catástrofe para ambos: Miller passa sete anos sem escrever nada, a não ser um roteiro para o cinema, Os Desajustados (1960), os jornalistas passam a chamar Arthur de Pigmalião e Marilyn de Galatéia, os personagens principais do ensaio. O casal separa-se, e Marilyn casa-se novamente em no início de1962, após alguns meses, em agosto, ela suicida-se. Apesar de Estarem separados há bastante tempo, Miller fica muito deprimido.

A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE:
“O teatro caracteriza-se por sua ambigüidade, por um hibridismo que deve ser levado em conta sempre que analisamos uma peça” (MOISÉS, 2008, p. 45)
A peça teatral de autoria de Arthur Miller tem sua estréia em 10 de fevereiro de 1949 em um período pós-guerra, trazendo grande preocupação ao autor, pois diante de tanta euforia da população, que vivia um clima de prosperidade, de sonho americano, falar da vida simples de um caixeiro viajante seria bastante contrastante, mas por surpresa de Miller, todos aplaudiram com emoção.

Trata-se de uma peça teatral que possui dois atos e o Réquiem (oração pelos mortos- repouso), tendo como personagens: Willy Loman (caixeiro viajante que o personagem principal); Linda (sua mulher); Biff e Happy (seus filhos); Charley (vizinho); Bernard (filho de Charley); Tio Ben (irmão de Willy); Howard Wagner (patrão de Willy); A Mulher (amante de Willy); Jenny (secretária de Charley); Stanley (empregado do restaurante); Senhorita Forsythe e Letta (jovens que saem com Biff e Happy).

Willy Loman convive com um drama que junta o passado e o presente trazendo a tona muitos conflitos sociais e familiares, que o destroem pouco a pouco. Nesse texto o leitor ou expectador pode constatar através dos personagens, o estrago que a crise econômica de 1929 impõe à sociedade norte-americana. Também é nítido o descrédito dado ao homem de idade mais avançada.

O enredo da peça enfoca conflitos da vida de Willy Loman, que ainda jovem, com dezoito ou dezenove anos como caixeiro viajante, pensando em abandonar tudo para tentar a vida no Alaska com seu irmão Ben, decide optar por sua profissão, ao conhecer Dave Singleman, um caixeiro viajante de 84 anos, que tinha tanto prestígio que nem precisava sair do seu quarto de hotel para ganhar a vida. Bastava ligava para seus clientes e eles vinham ao seu encontro. Com sua morte compareceram pessoas vindas de mais de trinta estados aos quais ele vendia. Assim Willy decide que essa seria a melhor profissão a seguir.

[...] conheci um caixeiro viajante no Park House. Chamava-se Dave Singleman. Tinha oitenta e quatro anos e já tinha vendido mercadorias em trinta e um Estados. [...] O velho Dave subia pro quarto, compreende, botava os chinelos de veludo verde [...] pegava o telefone e chamava os compradores. E mesmo sem sair do quarto, com oitenta e quatro anos ganhava a vida. [...] Por acaso há no mundo alguma coisa mais formidável do que uma pessoa com oitenta e quatro anos capaz de viajar por vinte, trinta cidades diferentes, e ser lembrado, amado e ajudado por tantas pessoas diferentes? [..] (MILLER, 1980, p. 363-364)

 Com a esperança de melhorar de vida Willy comete vários erros, dentre eles o fato de acreditar que a ascensão financeira era só uma questão de tempo. Teve a triste ilusão de que as pessoas gostavam dele e eram amigas.



REFERÊNCIA

MOISÉS, Massaud. A Análise Literária. 17ª ed. São Paulo: Cutrix, 2008.
MILLER, Arthur. A Morte do Caixeiro Viajante. Tradução de Flávio Rangel. São Paulo: Abril Cultural, 1980.


3 comentários:

  1. Não compreendo a função do cano de borracha atrás da caixa de fusíveis. Porque causa tanto horror aos irmãos Loman? Nunca vi esse mecanismo e não sei como funciona, mas acredito que possa ser relacionado ao sistema de aquecimento da casa. Por acaso Willy estaria tentando provocar um vazamento?

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    1. O cano de borracha seria usado por Willy para inalar gás e assim suicidar-se. Por isso a Linda ficou feliz quando notou a ausência do cano, ela pensou que ele havia desistido da ideia de se matar.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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